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北约扩张的影响

作者:莫桑比克商业报 发表时间:2024-03-31 21:58:47 来源:lnoticias

20年前,即2004年3月29日,北大西洋公约组织(NATO)见证了其历史上最重大的扩张,七个新的东欧国家加入,这一决定令俄罗斯不高兴。

随着这批来自前苏联势力范围的国家——保加利亚、罗马尼亚、斯洛伐克、斯洛文尼亚、爱沙尼亚、拉脱维亚和立陶宛——的到来,该组织响应了美利坚合众国 (USA) 的愿望,即在欧盟 (EU) 之外巩固北约在与俄罗斯接壤的边界上的地位。

克里姆林宫对这种扩张表示怀疑,因为这个集团包括三个波罗的海国家——爱沙尼亚、拉脱维亚和立陶宛——而且因为其潜在意图是在东欧建立一个防御平台,直到1995年,俄罗斯才在那里驻扎军队。

对于一些分析人士来说,该组织在2004年的扩张 - 在当年6月28日和29日的伊斯坦布尔峰会上正式确定 - 是西方与俄罗斯对抗的一个重要里程碑。

东欧

到1999年,三个华沙条约国家——捷克共和国、匈牙利和波兰(称为维谢格拉德集团)——已经加入了该联盟,尽管俄罗斯提出了强烈的外交抗议,俄罗斯认为这一决定是对后冷战时代欧洲安全的第一个威胁。

当时,俄罗斯外交部长安德烈·科济列夫(Andrei Kozyrev)强调了克里姆林宫对它认为是正在设计的新政治秩序的天然盟友的国家加入北约的不满。

克罗地亚局势

克罗地亚于2002年发起了加入大西洋联盟的行动计划,但最终没有被列入2004年正式加入的集团,并于2003年与阿尔巴尼亚一起制定了《亚得里亚海宪章》,继续沿着这条道路前进。

这两个国家最终将于2009年加入北约。

其他扩展

自 1949 年成立以来,北约已从最初的 12 个创始成员国(比利时、加拿大、丹麦、法国、冰岛、意大利、卢森堡、荷兰、挪威、葡萄牙、英国和美国)进行了多次扩展。

希腊和土耳其于1952年加入,将联盟扩展到东南欧。

德国于1955年成为第15个成员国;西班牙于1982年加入;1990年,德国统一后,整个德国都处于该组织的保卫之下。

冷战结束后,柏林墙的倒塌和华沙条约组织的解体为进一步东扩铺平了道路。

中欧和东欧的新民主国家热衷于加入该联盟并巩固其新的自由,1999年,捷克共和国,匈牙利和波兰成为第一个加入的前华沙条约成员。

2017 年轮到黑山,2020 年北马其顿成为大西洋联盟的第 30 个成员。

最近几个月,随着芬兰(2023 年)和瑞典(2024 年)的到来,加入。

美国利益

自冷战结束以来,美国一直担心,如果北约在那里无人看守,欧盟将在新的世界秩序中发挥决定性作用,特别是在东欧。

在1980年代后期共和党总统乔治·W·H·布什(George W.H. Bush)任期内,美国国会分为主张向东扩张的人和建议在大西洋联盟国家集团之间加强凝聚力的人。

在接下来的任期内,在民主党人比尔·克林顿(Bill Clinton)的领导下,在1992年,特别是在共和党在1994年中期选举中取得重要胜利之后,美国开始更系统地主张向东欧扩张的立场,声称大西洋联盟需要不要让欧盟成为该地区安全的专属职能。

俄罗斯的反应

莫斯科对这种扩张感到担忧,尤其是因为三个波罗的海国家(爱沙尼亚、拉脱维亚和立陶宛)的加入,这些国家被认为是“近邻”——俄罗斯政客用来形容那些预计不会违背俄罗斯战略利益的国家。

四年后的2008年,当北约接受格鲁吉亚和乌克兰加入大西洋联盟的愿望时,克里姆林宫做出了严厉的反应,甚至与莫斯科认为是独立国家的南奥塞梯和阿布哈兹的格鲁吉亚当局发生了短暂的冲突。

早在2004年,俄罗斯国家杜马就要求政府审查其国防政策,国家安全委员会主席维克多·扎瓦林(Viktor Zavarin)甚至建议从加入该组织的三个波罗的海国家进行战略背离。

在接下来的几个月里,俄罗斯武装部队加强了他们在与大西洋联盟国家的边境地区的阵地。

与此同时,有影响力的战略分析研究所所长谢尔盖·奥兹诺比舍夫(Sergei Oznobishchev)于3月2004在Rossiskaya Gazeta上写道,该集团的扩张是俄罗斯外交的失败,也是欧洲未来的一个重要里程碑。

在这位有影响力的外交官的分析中,波罗的海国家出于对前苏联的“遗传恐惧”而加入北约,当时已经是俄罗斯,指责莫斯科“未能应对这种恐惧”。

扩张计划

这种扩张是由于西方国家和前华沙条约国家在共享共同的安全和防务平台方面的利益汇合,特别是为了对抗他们认为——当时已经是克里姆林宫的扩张主义和帝国主义倾向。

1995年开始制定扩大大西洋联盟的计划,当时北约发布了一份文件,其中包含这种扩张的要求,警告其风险,即使其效率降低和更加同质化。

对新成员的好处

时任美国总统乔治·W·布什(George W. Bush)在对新成员的欢迎辞中称,这七个国家“在成为盟友之前是朋友,在根据条约成为盟友之前是行动中的盟友”,并回顾了它们在阿富汗和伊拉克冲突中已经发挥的作用。

当时的几位欧洲领导人强调了新国家在巩固东欧安全机制以阻止来自邻国的潜在侵略威胁方面的作用的重要性。

他们还强调了北约扩大与欧盟扩大的巧合,并回顾说,这两个组织构成了欧洲稳定的关键战略伙伴关系。




HÁ 20 anos, em 29 de Março de 2004, a Organização do Tratado do Atlântico Norte (NATO) assistiu à mais relevante expansão da sua história, com a adesão de sete novos países da Europa de Leste, numa decisão que não agradou a Rússia.

Com a chegada deste grupo de países da esfera de influência da antiga União Soviética – Bulgária, Roménia, Eslováquia, Eslovénia, Estónia, Letónia e Lituânia – a organização respondia a uma aspiração dos Estados Unidos da América (EUA) de consolidar, à margem da União Europeia (UE), a posição da NATO nas fronteiras com a Rússia.

O Kremlin respondeu com desconfiança a esta expansão, por este grupo incluir três estados bálticos – Estónia, Letónia e Lituânia – e pela intenção subjacente de criar uma plataforma de defesa no leste da Europa, em território onde, até 1995, a Rússia tinha estacionado tropas.

Para vários analistas, a expansão da organização em 2004 – que foi formalizada na cimeira de Istambul, em 28 e 29 de Junho desse ano – constituiu um marco relevante para o confronto entre o Ocidente e a Rússia.

EUROPA DO LESTE

Em 1999, três países do Pacto de Varsóvia – República Checa, Hungria e Polónia (chamado Grupo de Visegrado) – já tinham aderido à aliança, apesar dos veementes protestos diplomáticos da Rússia, que viu essa decisão como uma primeira ameaça à segurança na Europa na era pós Guerra Fria.

Nessa altura, o ministro dos Negócios Estrangeiros russo, Andrei Kozyrev, salientou o desagrado do Kremlin pela adesão à NATO de países que considerava aliados naturais de uma nova ordem política que se estava a desenhar.

A SITUAÇÃO DA CROÁCIA

A Croácia tinha iniciado, em 2002, um plano de acção para aderir à Aliança Atlântica, mas acabou por não ser incluída no grupo que formalizou a adesão em 2004, tendo formado em 2003 a Carta do Adriático, juntamente com a Albânia, para continuar nesse rumo.

Estes dois países acabariam por integrar a NATO a partir de 2009.

OUTROS ALARGAMENTOS

Desde a sua criação, em 1949, a NATO expandiu-se em diversas ocasiões distintas, a partir do grupo de 12 membros fundadores originais: Bélgica, Canadá, Dinamarca, França, Islândia, Itália, Luxemburgo, Países Baixos, Noruega, Portugal, Reino Unido e EUA.

A Grécia e a Turquia aderiram em 1952, estendendo a aliança ao sudeste da Europa.

A Alemanha tornou-se o 15º membro em 1955; a Espanha aderiu em 1982; e em 1990, na sequência da reunificação alemã, toda a Alemanha ficou sob a égide da defesa da da organização.

A queda do Muro de Berlim e a dissolução do Pacto de Varsóvia após o fim da guerra fria abriram caminho a uma maior expansão para leste.

As novas democracias da Europa central e de leste estavam interessadas em aderir à aliança e cimentar a sua nova liberdade e, em 1999, a República Checa, a Hungria e a Polónia tornaram-se os primeiros antigos membros do Pacto de Varsóvia a aderir.

Em 2017 foi a vez do Montenegro e em 2020 a Macedónia do Norte tornou-se o 30º membro da Aliança Atlântica.

As mais recentes adesões ocorreram nos últimos meses, com a chegada da Finlândia (2023) e da Suécia (2024).

INTERESSE DOS EUA

Desde o fim da Guerra Fria que o EUA passaram a recear que a UE passasse a ter um papel determinante na nova ordem mundial, em particular na região leste da Europa, se a NATO ficasse desguarnecida nessa zona.

No mandato do presidente republicano George W.H. Bush, no final dos anos 80 do século passado, o Congresso norte-americano dividiu-se entre aqueles que defendiam um alargamento a leste e aqueles que sugeriam uma maior coesão entre o grupo de países da Aliança Atlântica.

No mandato seguinte, do democrata Bill Clinton, em 1992, sobretudo após uma importante vitória dos republicanos nas eleições intercalares de 1994, os EUA passaram a advogar de forma mais sistemática uma posição favorável à expansão para o leste da Europa, alegando a necessidade de a Aliança Atlântica não deixar à UE a função exclusiva de segurança nessa região.

REACÇÃO DA RÚSSIA

Moscovo reagiu com preocupação a este alargamento, sobretudo por causa da adesão de três países bálticos (Estónia, Letónia e Lituânia) que eram considerados como “o estrangeiro próximo” – uma expressão usada por políticos russos para as nações que não se esperava que agissem contra os interesses estratégicos russos.

Quando, quatro anos depois, em 2008, a NATO aceitou as aspirações da Geórgia e da Ucrânia a integrarem a Aliança Atlântica, o Kremlin reagiu de forma dura, iniciando mesmo um breve conflito com as autoridades georgianas na Ossétia do Sul e na Abcásia, que Moscovo considerava serem estados independentes.

Logo em 2004, o Parlamento russo (Duma) pediu ao Governo para rever a sua política de defesa e o líder do Comité de Segurança Nacional, Viktor Zavarin, sugeriu mesmo um afastamento estratégico relativamente aos três países bálticos que tinham aderido ao grupo.

Nos meses seguintes, as Forças Armadas russas reforçaram as suas posições nas regiões de fronteira com os países da Aliança Atlântica.

Ao mesmo tempo, o director do influente Instituto de Análise Estratégica, Serguei Oznobishchev, escrevia na Rossiskaya Gazeta, em Março de 2004, que a expansão do bloco significava um falhanço para a diplomacia russa e um importante marco para o futuro da Europa.

Na análise deste influente diplomata, os países bálticos tinham aderido à NATO por “receio genético” da antiga União Soviética, então já Rússia, acusando Moscovo de “ter falhado em contrariar esse receio”.

PLANO PARA A EXPANSÃO

A expansão  deve-se à confluência de interesses dos países ocidentais e dos países do antigo Pacto de Varsóvia em partilhar plataformas comuns de segurança e defesa, em particular para contrariar o que consideravam – já nessa altura – ser uma tendência expansionista e imperialista do Kremlin.

Os planos para o alargamento da Aliança Atlântica começaram a ser desenhados em 1995, quando a NATO divulgou um documento com os requisitos para essa expansão, alertando para os riscos dela, nomeadamente o de a tornar menos eficaz e mais homogénea.

VANTAGENS PARA OS NOVOS MEMBROS

No seu discurso de boas-vindas aos novos membros, o então presidente dos EUA, George W. Bush, referiu-se aos sete países como “amigos antes de serem aliados e aliados na acção antes de serem aliados por tratado”, lembrando o papel que já tinham desempenhado nos conflitos no Afeganistão e no Iraque.

Diversos líderes europeus, nessa altura, sublinharam a importância do papel dos novos países na sedimentação dos mecanismos de segurança na Europa de Leste, para dissuadir potenciais ameaças de agressão de países vizinhos.

Esses mesmos líderes salientaram ainda a coincidência do alargamento da NATO com o alargamento da UE, recordando que estas duas organizações constituem uma parceria estratégica fundamental para a estabilidade na Europa.


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